Minha própria alma me estranha nesses dias obsoletos em que o sol não brilha na minha janela. Parece que falta sempre um pedaço de mim...
A sensação é de que o vazio, incessantemente, teima em marcar encontro com a neblina, com o sereno friamente severo dos dias sem fim!
Aonde que se encaixa, então, a parte que se perdeu de mim? Em qual gotícula desse sereno venenoso ela se camufla?
Não sei.
Não sabes?
Não a acompanhastes durante toda essa fuga misteriosamente planejada?
Eu não sei de mais nada, muito menos dos meus sentimentos e desejos!
Sinto que o surrealismo tomou conta dessa mente surpreendentemente desconhecida!
Já é noite, e tudo o que eu aspiro é que o dia de amanhã não se pareça nem pouco com o de hoje, pois eu me recuso a enxergar somente os pingos da chuva brincando de balé clássico na janela do meu quarto!
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