Mais uma semana. Mais dias que não vi passar, horas que dissolveram a tormenta, a descrença, a distância há tempos ausente de mim.
Às vezes, sinto-me num filme dramaticamente blefante. Ora sou a diretora, ora a protagonista. Ora me sinto o cenário, ora bolhas coloridas do mesmo despencam intensamente sob a minha cabeça. Neste momento já não sou, não pertenço, não aguento, não caibo-me dentro.
Dentro...
Dentro do que se faz e se desfaz esse ninho aritmético? Em quais paredes se camufla o som do inesperado? Quais as cores do imprevisível quase sempre adivinhado?
Não sei. Não encontro-me mais neste vidro tóxico que deixava-me sem ar.
Meu mundo, nosso albergue encantado, nossa ilha paradisíaca, meu telhado de palha seca!
PS: "As pequenas virtudes são como as violetas que gostam do frescor e
da sombra, que se alimentam do orvalho e que, ainda com pouco
brilho, não deixam de espargir o seu perfume". São Francisco de
Sales, religioso, FRA, 1567-1622
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