quarta-feira, novembro 07, 2007

Gás Natural!

Pousa em mim suavemente, como um pássaro faminto que chega ao ninho para alimentar seus filhotes, uma doce e breve pluma de cristal sólido.
Meus eus se difundem liquida e gasosamente por entre as janelas deste quarto bicolor, enquanto que a minha alma procura as cores sintéticas deste vidro moldado, encaixado milimetricamente.
Meu maior entendimento está em não entender absolutamente nada do que tenta me corroer.
Eu, que às vezes preciso de ar líquido e compressa de água quente para amenizar a ânsia sem fim de estar viva, vou me entortando, distorcendo e renascendo entre idas e vindas asmáticas, incontroláveis; quase surreais.
Não me conformo com pouco, no entanto, o excesso contorce e estremece os meus sentidos já minuciosamente explorados, efervescentes, absurdamente irreconhecíveis.
O que pousara em mim, não mais remete a vôo. O que me enfraquece é o que me fortalece sem eu saber, pois tudo o que sinto desconheço do que sei.
Ah, vida de faces múltiplas! O que te almeja me dá palidez por um lado, me envergonha de outro, e me enlouquece plenamente.
O que fazer com o que fui outrora? Qual síntese desta parábola pertence à outra pessoa sem ser eu? Qual antídoto seria fatalmente aplicável?
Nada a declarar. Meu lado pós-moderno não me permite proclamar, apenas sussurrar!
Cansada das sensações sem tato, vou me distanciando de tudo o que não mais me alcança, descansa, penetra! Sou quase um quadro dentro de suas cores abstratas, mal pagas, mal pintadas!
Alguém, por favor, faça-me entender o código maluco tributário para que meus bens não se evaporem no espaço!?
Pensamentos verdes timbrados; enlouquecidos de papel manchado!
Cante o hino nacional, municipal, estadual, para que meu coração descongele deste íntimo fel de amarguras que não são minhas!!!
Amarguras que não são minhas, ressalto. O que vem posterior a mim são unificações de reis de outrora; coisas que não me persuadem nem despertam minha atenção.
O futuro me pertence, e a ele devo explicações e sugestões. Odeio a história desde A.C até os dias de hoje, por que, para mim, tudo é banalidade, superficialidade, estórias, ora, bolas!
...
Faça uma busca em mim, e acharás inúmeros verbos.
Verbos contagiosos, ociosos, ansiosos, meticulosos, pré-fabricados! Sou eu! Prazer!
Pensei emnão pertencê-lo, no entanto, estou aqui. Ora jaz minha loucura, meu desapego; ora sepulto minha psicose, meus medos, meu devaneio...
Não sei ao certo pra que lado corre o sangue das minhas veias, no entanto, estou aqui para satisfazê-lo.
Satisfazer o que, propriamente dito? Minhas nuances, minhas loucuras, meus estados anormais de fragilidade? Ah, acorde! Não temo mais nada, a não ser aquelas performances inaceitáveis!
Já é dia, e os meus eus múltiplos não me permitem ir mais além que isso. Observe e se resguarde. Nosso tempo é ínfimo!
Às vezes, prefiro acreditar e ver, do que suspeitar e não ver! Mas, para isso, é preciso muito combustível resistente, ou seja, muito gás natural; coisa que está em falta no momento!

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