terça-feira, dezembro 12, 2006

Dúvidas de um talvez

Dias nostálgicos, embalsamados, trincados. Por favor, devolva meu vitral quebrado, meu lança-perfume encharcado, meu cigarro apagado!
Não ter razão não me basta. É preciso mais que isso. É necessário doces doses de adrenalina, saliva, aperto.
Quem roubou as flores daquele jardim que era só meu? Quem dilacerou o pedaço já partido que me faltava? Talvez eu mesma. Talvez a aranha. Talvez os dias errados que para mim eram os mais certos e justos.
Quem foram os criminosos desta estória mal contada, mal entendida, mal engolida?
A adrenalina? Os suspiros ofegantes? A falta de razão misturada com o excesso de emoção?
A fissura pelo incerto? A verdade escancarada? A mentira sempre aceita, ou a necessidade extrema da presença de um ausente?

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